A evolução do ensino do BIM no Brasil

Atualizado: 1 de out. de 2021


Créditos: Banco de imagens


Iniciativas individuais e pioneiras, sobretudo empenhadas por professores que compreenderam a relevância da introdução do conhecimento sobre a prática da Modelagem da Informação da Construção em disciplinas de graduação, marcaram o início da trajetória de evolução do ensino do BIM no Brasil. Nesse sentido, até 2013, esforços dispersos foram realizados por poucos docentes para incorporar a temática BIM no programa de suas disciplinas, nas escolas de Engenharia Civil e de Arquitetura e Urbanismo. O sucesso de tais iniciativas dependia unicamente de uma ênfase em aprofundamento e postura dedicados por cada professor, que por sua vez, na maior parte dos casos, estabelecia foco em conhecimento sobre modelagem- um conjunto de competências introdutórias em estágio inicial ou intermediário, no máximo. Individualmente, cada um desses professores assumiu papel central para a criação dos primeiros polos indutores da trajetória de expansão de ensino do BIM nas universidades.


Mesmo de modo simplificado e ainda sem a realização de iniciativas de ensino que abordassem ações mais complexas com diversificados usos do BIM, integradas e exploratórias de habilidades que resultariam em capacitação para a análise e gestão em BIM, o processo da difusão do ensino prosseguiu. Entre 2013 e 2019, as atividades de ensino do BIM expandiram com base no aumento do interesse por parte dos docentes e também alunos, nesse período já suportado por diversas iniciativas empenhadas entre especialistas e comunidade técnico-acadêmica. Uma iniciativa de destaque, o primeiro Encontro Nacional sobre o Ensino de BIM (ENEBIM), evento 100% dedicado ao tema, reuniu, em 2018, em um só evento, todos os esforços que vinham sendo empenhados de modo disperso no território nacional. O ENEBIM foi idealizado pelo Grupo de Trabalho de Tecnologia da Informação e Comunicação (GT.TIC) da Associação Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído (ANTAC). O evento visa corroborar com o objetivo de estímulo à capacitação BIM da Estratégia BIM BR.


A realização do ENEBIM findou com um período hoje chamado de “Difusão silenciosa do ensino de BIM no Brasil”. O evento é reconhecido por ter se tornado uma grande vitrine que permitiu ‘mapear – fotografar’ a situação de cada instituição de ensino brasileira. Entre outras informações relevantes, permitiu, por exemplo, compreender que a região Nordeste apresentava (e ainda apresenta até hoje) indicadores de forte envolvimento com a temática BIM, seguida por Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o que aponta a necessidade latente da criação de estratégias que estimulem o envolvimento da região Norte. Somado a outras iniciativas e esforços organizados pela comunidade acadêmica e por especialistas, tais como workshops e atividades pedagógicas. Até 2019 também foi possível observar o aumento da presença da temática BIM nas matrizes curriculares das universidades de grandes centros urbanos, bem como o interesse crescente por parte de professores e alunos tanto da graduação, como da pós-graduação, pela diversidade do conhecimento sobre BIM, importante para uma formação mais integrada e voltada à gestão de processos.


Acelerado pela pandemia da COVID-19, o estabelecimento do ensino remoto nas universidades brasileiras, tal como uma medida preventiva e resposta frente à necessidade de isolamento social, se tornou realidade antes do esperado. A inovação tecnológica e o aumento da prática de atividades pedagógicas virtuais já vinham se desenhando como tendência na área da educação. Desde 2020, tal movimento foi intensificado com a chegada da crise sanitária e, entre os efeitos positivos – sim, existem! – impulsionou a democratização da inovação tecnológica nas universidades, já que houve a necessidade de disponibilizar para todos os alunos tanto o acesso à internet, bem como equipamentos e ferramentas para compartilhamento e elaboração conjunta de trabalhos em dinâmicas on-line.


No contexto 2021 e ao olhar perspectivas para 2022, a difusão do BIM na matriz de ensino das universidades brasileiras tende a acontecer de modo organizado e mais rápido. Tendo como referência iniciativas já implementadas com apoio de órgãos públicos, tais como as Células BIM, com diretrizes desenvolvidas pelo GT.TIC-ANTAC e suporte do Ministério da Economia, os cursos de graduação poderão ser guiados para a transformação digital seguindo um modelo de plano de implantação de BIM para o ensino. Este trabalho, que vem sendo realizado nas Células BIM estabelecidas em duas universidades – UFPR e UFPE – que irá gerar conteúdo que será publicado em um portal. Guias, manuais, teses já publicadas, materiais didáticos, modelos, entre outros materiais informativos, poderão, por exemplo, fomentar ações de atualização de projetos pedagógicos. Tais ações são especialmente oportunas, em razão da recente recomendação feita por parte do MEC para que as universidades brasileiras atuem na renovação de suas diretrizes curriculares.


⮚ Acesse o canal YouTube do BIM Fórum Brasil e confira o registro em vídeo do evento “BIM na Educação”, que contou com a participação da professora Mariana Lima, da UFC, e da professora Regina Ruschel, da Unicamp, ambas coordenadoras do GT.TIC da ANTAC, sendo que a professora Ruschel também é coordenadora do Comitê Científico do BIM Fórum Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=3oizsqFMjck&t=3171s