BIM em pequenas e médias empresas

Atualizado: 4 de jul.

O evento “Desafios para implantação do BIM em pequenas e médias empresas”, realizado pelo BIM Fórum Brasil (BFB), aconteceu hoje (30/06/2021) no canal do YouTube da entidade e foi mediado por Humberto Farina, conselheiro do BFB. Os painéis foram apresentados pelos convidados: Jefferson Santos (SEBRAE), Joel Kruger (Confea/Crea), Miriam Addor (AsBEA), Rodrigo Koerich (Recepeti) e Rogério Suzuki (Vistta|S e BFB).


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Dentre as iniciativas a serem desenvolvidos pelo BFB, está contido o projeto de apoio à Implantação do BIM nas Micro e Pequenas Empresas, o evento é parte deste movimento e teve como propósito a comunicação e a integração das partes interessadas, expondo as ações realizadas e os esforços previstos para ajudar a transpor as barreiras já identificadas.


Os convidados trouxeram a experiência e a visão de instituições como a AsBEA BR, que tem estrada percorrida na disseminação do BIM, e de instituições como o Sebrae Nacional e o Confea, que tem capilaridade em um país continental como o Brasil.


Miriam Addor falou sobre o trabalho desenvolvido na AsBEA, voltado para o BIM, de desenvolvimento de alguns fascículos para auxiliar os arquitetos, as pequenas empresas, na implantação do BIM. O trabalho é voluntário e trata de como estruturar um pequeno escritório de projeto para a implementação do BIM, traz a definição dos processos e entregáveis do processo BIM. Na estruturação dos escritórios destacou que as empresas têm que tomar a decisão de implantar o BIM, o plano vem hierarquicamente de cima para baixo, a alto gerência tem que se comprometer assim como o operacional. Ao final de sua fala refletiu: “Estamos na 3ª década do século 21, temos que evoluir, empurrar o mercado para frente, o BIM Fórum vem com essa tarefa fortíssima de levar isso mais adiante.”


Jefferson Santos (SEBRAE) falou sobre a articulação em Minas Gerais entre academia, poder público, instituições financeiras e entidades. Desta articulação surgiram várias ações para as empresas e uma delas é o evento anual SeBIM que vai para sua 4ª edição. Foram desenhados cursos para pequenas empresas, sendo disponibilizado gratuitamente um EAD nível básico que já tem 58.000 concluintes, tendo sido lançado no início de 2021.


Na sequência, Rodrigo Broering Koerich, coordenador técnico do projeto CONSTRUA BRASIL para aumento da produtividade e competitividade da construção civil, trouxe para somar ao debate a apresentação da meta 5, do Termo de Colaboração, que contém desdobramentos da Estratégia BIM BR. Na referida meta está prevista a proposição de um programa de incentivo ao investimento em BIM focado em micro e pequenas empresas. “A meta previu dois trabalhos, um levantamento de qual o estado da arte hoje, o que temos em termos de instrumentos fiscais, creditícios, para incentivar o uso e o investimento em BIM. O levantamento já foi concluído. No passo número dois nós vamos olhar para estes instrumentos, fazer uma análise crítica e vamos propor melhorias para a adequação do uso do BIM. Para este trabalho selecionamos algumas entidades, que chamamos de influenciadores, com as quais fizemos entrevistas iniciais para entender a visão destes influenciadores de mercado. Estamos fazendo um trabalho junto aos financiadores e entrevistando para saber a perspectiva para a concessão de crédito. Estamos estudando também os itens financiáveis que não são apenas os softwares, mas em maior valor, o investimento nas mudanças de processos das empresas. Por fim, quem são os tomadores de financiamento, quem estaria elegível a buscar esse crédito. Devemos olhar para estes stakeholders e procurar desenvolver soluções favoráveis para que esse financiamento possa ser executado. Foi feito até então uma série de entrevistas com algumas das entidades (ABRAMAT, ABDI, ASBEA, CBIC, FINEP, entre outras) e alguns bancos e destas primeiras entrevistas já foi possível estabelecer que é preciso definir uma linha de crédito e que de preferência seja subsidiado, ou seja, subsidiado como parte dos recursos, ou que tenha taxas de juros subsidiadas, ou que tenha mecanismos de garantias mais fáceis ou até mesmo carência no prazo, porque o escritório num primeiro momento terá que investir e não necessariamente ele tem retorno direto no fluxo de caixa no recebimento dos projetos. É preciso que este modelo esteja bem desenhado e focado nessa implementação do BIM em larga escala”, explicou Rodrigo Koerich.















O engenheiro civil João Carlos Pimenta justificou a ausência do presidente do Confea, eng. civ. Joel Krüger, em razão de um encontro com os presidentes dos Creas em Cuiabá, e destacou: “A nova Lei de Licitações em seu artigo 19 prevê o uso do BIM. Então é um caminho inexorável. A gente tem que conscientizar as empresas sobre a importância do uso do BIM. O Confea apoia da forma como for possível, a implantação nos escritórios, não apenas nos projetos, mas também no acompanhamento de obras. O BIM é uma evolução. E estamos precisando de muitas coisas novas para poder colocar a nossa Engenharia na linha de frente do mundo”.


O presidente do BIM Fórum Brasil, Wilton Catelani, agradeceu os participantes e direto de Cuiabá, onde participou de um encontro com os presidentes dos Creas, falou sobre o evento e da nova parceria firmada:

“O país é muito grande e nesse encontro com os Creas de todos os Estados pude verificar as diferenças, como alguns estão mais avançados, outros menos, e o BIM Fórum e estas pessoas que estão aqui voluntariamente dedicando tempo para fazer esse evento, compartilhando boas práticas, devem ajudar a não só igualar mas acelerar este processo. Gostaria também de comunicar que aqui em Cuiabá nós assinamos um acordo de cooperação entre o Sistema Confea/ Crea e o BIM Fórum Brasil, que na minha visão andava um pouco distante do BIM. Com isso damos um passo importante na direção de facilitar a adesão dos Creas e acelerar a maturidade do país, jogando luz sobre questões tabus como o acesso ao crédito. Por fim queremos convidar a todos, que dentro dos seus papéis considerem doar um pouco do seu tempo para que essa inovação tecnológica, dessa nossa indústria tão arcaica, aconteça de forma mais eficaz”.


Na sequência, o consultor e Conselheiro do BFB, Rogério Suzuki, apresentou o projeto BIM Colaborativo, desenvolvido pela empresa de consultoria Vistta|S, como um dos possíveis caminhos para o aumento da maturidade BIM nas PMEs.

O Projeto BIM Colaborativo foi realizado de forma piloto no Distrito Federal em 2019, com 16 empresas. Com a pandemia, desenvolveram uma versão remota do projeto que atendeu, em 2021, 32 empresas, 77 usuários de nove estados. A presença de profissionais de todo Brasil no projeto foi destacada por Rogério Suzuki, que acredita que a versão remota possibilitou maior alcance e disseminação do BIM.


Na moderação do debate o Conselheiro do BFB, Humberto Farina, ponderou:

“Temos um desafio, nas pequenas empresas, como a minha, de perseverar, mudar os processos, investir em softwares, treinamentos, mas é o momento. No mundo todo a construção está se digitalizando e no Brasil não poderia ser diferente. A gente tem a necessidade de eficiência nos métodos, economia de materiais, recursos, mão de obra, para ter no final um menor impacto ambiental. E nessa busca a tecnologia está aí para isso. Precisamos investir para avançar.”


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