Gêmeo Digital integrado ao uso do BIM



Ao lado da expansão do uso do BIM, soluções que envolvem o conceito da Internet das Coisas (IoT), do Gêmeo Digital, bem como premissas de “Aprendizagem de Máquina” e uso de Big Data, estão sendo cada vez mais adotadas no setor mundial de AEC - Arquitetura, Engenharia e Construção, muitas vezes de modo integrado. Aumento da produtividade, melhoria na gestão de recursos financeiros e ambientais - bem como na gestão das frentes de trabalho e dos diversos profissionais envolvidos em um empreendimento -, apoio para os momentos de tomada de decisões estratégicas, e ainda mais precisão para o planejamento e cumprimento do cronograma das obras, figuram entre os principais benefícios de tais práticas inovadoras aos empreendedores e investidores.


No contexto, usuários dos empreendimentos já construídos e entregues também podem ser beneficiados. Soluções construtivas e sistemas prediais “inteligentes” oferecem potenciais de ganhos no uso e manutenção dos espaços residenciais, corporativos e comerciais - a etapa de vida mais longa de um empreendimento, que idealmente é projetado para não exigir reformas substanciais por no mínimo 40 anos. A manutenção de obras de infraestrutura, seja feita por empresas do setor público ou privado, também pode ser fortemente beneficiada pela adoção de inovações tecnológicas.


Mas, o que é um Gêmeo Digital?


O conceito do Gêmeo Digital, quando aplicado no setor de AEC, de uma forma simples permite a “definição de um modelo virtual de uma edificação, ou de uma obra de infraestrutura, de modo que tal modelo possa ser usado para monitorar, analisar e melhorar o desempenho do empreendimento real, construído e em uso como uma fonte de fornecimento de dados e informações em tempo real”, explica Sergio Scheer, vice-presidente do BIM Fórum Brasil.


Atualmente, os benefícios oriundos da adoção do Gêmeo Digital de modo integrado ao uso do BIM estão cada vez mais presentes na pauta mundial da comunidade acadêmica e empresarial. “Práticas industriais e estudos técnico-científicos têm avançado com foco tanto na fase da construção de um empreendimento, que envolve o projeto, o planejamento e a execução da obra, bem como na fase de uso do empreendimento já executado”, esclarece Scheer.


Recentemente, por exemplo, o professor e especialista mundial Rafael Sacks participou de um evento promovido pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) e pela Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, com o apoio da Brazilian Technion Society e do BIM Fórum Brasil – no mês de setembro de 2021, com registro disponível em vídeo no canal YouTube neste link – para compartilhar pesquisas e estudos de casos representativos de ganhos substanciais na etapa de pós-obra e, em especial na etapa de planejamento e execução de empreendimentos de construção. “O ‘irmão gêmeo’ torna possível o monitoramento em tempo real da construção e da operação e manutenção de edificações e outros tipos de obras. Sensores emitem sinais de temperatura, umidade, consumo de energia e de movimentação de materiais, equipamentos e pessoas entre outros. Ao gestor, tais sinais tornam possível analisar comportamentos e séries históricas para definir e até mudar estratégias, tais como diminuir a potência do ar condicionado em um determinado período do ano, ou ao detectar ocorrências atípicas, entre outras inúmeras ações possíveis que aprimoram o desempenho de uma edificação no decorrer do tempo, ao longo do ciclo de vida do ativo de construção”, conclui Scheer.


Origem do conceito


Gêmeo Digital é um conceito associado à trajetória profissional do cientista-chefe de fabricação avançada do Instituto de Tecnologia da Flórida (EUA), Michael Grieves. Em 2002, durante a realização de uma conferência, ele “propôs a criação de um centro de gestão do ciclo de vida que incluiria a representação física, a representação virtual e o intercâmbio de informações entre ambas” (Fonte: https://redshift.autodesk.com.br/gemeo-digital/). Mas, a sugestão não era exatamente original. Na década de 1960, a NASA investiu em uma tecnologia inovadora de “espelhamento” que permitiu replicar condições vivenciadas em naves espaciais e monitorá-las com o uso de protótipos – modelos físicos operados na Terra. Durante a missão Apollo 13, tal tecnologia foi importante para acompanhar as condições dos astronautas a bordo da nave espacial danificada, realizar simulações e tomar decisões relacionadas ao resgate bem sucedido.

“Embora o potencial dos gêmeos digitais fosse evidente, a capacidade computacional, a conectividade e o armazenamento de dados necessário tornavam sua implementação muito dispendiosa para a maioria dos setores. Por isso, a ideia foi considerada um sonho impossível durante décadas. Nos últimos cinco anos, entretanto, as tecnologias de inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) viabilizaram o processo”, informa a matéria intitulada ‘Gêmeo digital: modelo de dados inteligente pode moldar o mundo construído’, publicada no portal Redshift by Autodesk (Fonte acima).