Resultados da Pesquisa Nacional sobre Digitalização na Arquitetura e Urbanismo

Atualizado: 9 de set.


Créditos: Acervo BFB


No dia 15 de agosto de 2022, foram apresentados os resultados da Pesquisa Nacional sobre Digitalização na Arquitetura e Urbanismo.


A pesquisa, promovida pelo BIM Fórum Brasil (BFB) e pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR), com o patrocínio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e apoio do CAU/SC, teve o objetivo de avaliar a maturidade digital dos profissionais da arquitetura na construção, levando em conta o cenário atual, para propor os caminhos para a transformação digital e otimização dos processos, ferramentas e técnicas de trabalho.


O evento contou com a participação da Coordenadora da Comissão de Política Profissional do CAU/BR, Cristina Barreiros, da Presidente do CAU/SC, Patrícia Sarquis Herden, do Relator do Tema BIM na CPP-CAU/BR, Rogério Markiewicz, do Presidente do BIM Fórum Brasil, Rodrigo Koerich, do Analista de Produtividade e Inovação na ABDI, Leonardo Santana e da Diretora da empresa TresT Consultoria (Coordenadora Técnica do Projeto), Laura Lacaze.


O levantamento foi realizado durante o mês de junho de 2022 e foi a primeira vez que um esforço dessa categoria foi realizado no país. A pesquisa foi enviada a todos os profissionais cadastrados no CAU e foram obtidas 5693 respostas, das quais 5417 resultaram válidas para a análise. Esse processo permitiu construir uma pesquisa que não apenas resulta representativa dos profissionais participantes, mas que permite inferir conclusões sobre toda a categoria.


Dentre as características do perfil demográfico, foram destacados na apresentação dois pontos principais de grande impacto para o desenho e execução de iniciativas para o apoio da transformação digital do setor:

  • Quase a metade dos profissionais atua como autônomo, o que ilustra os desafios específicos no setor da arquitetura e urbanismo.

  • A maioria dos profissionais atua nos projetos arquitetônicos e na arquitetura de interiores, 80% vinculados aos projetos de tipo residencial.

  • Em termos do seu conteúdo, a pesquisa abrangeu diversos assuntos vinculados à transformação digital do setor. Entre as questões mapeadas foram inclusas.

  • Conhecimento e uso de metodologias de planejamento e de critérios de padronização.

  • Panorama de conhecimento e adoção de tecnologias digitais (genéricas e específicas).

  • Demandas de capacitação e treinamento por parte dos profissionais.

  • Motivações, perspectivas e trajetórias de adoção de BIM.

  • Atitude, perspectivas e principais limitadores que afetam a quem ainda não trabalha em BIM.


Os resultados da pesquisa estão abertos ao público interessado através de uma ferramenta interativa, permitindo aos usuários fazer suas próprias consultas e acessar os dados em profundidade:


No que diz respeito aos processos e tecnologias digitais foram identificados três grandes desafios:

  • O primeiro em relação a organização do processo de trabalho, onde 64% dos profissionais não utiliza nenhum tipo de ferramenta ou metodologia orientada a planejar as atividades no início dos projetos e, dentre aqueles que utilizam, predominam as ferramentas e métodos tradicionais.

  • O segundo se vincula ao conhecimento de soluções tecnológicas digitais com aplicação concreta ao setor da construção civil e a sua adoção. Neste sentido o cenário sugere que o setor tem atravessado um importante processo de digitalização nas últimas décadas, notado através do amplo conhecimento e adoção daquelas tecnologias mais amadurecidas (conhecidas como 2.0) e de uso genérico (isto é soluções de uso comum para diversos setores econômicos e sociais). Assim, a brecha mais significativa está na transição do 2.0 para o 3.0 e 4.0. Consultados sobre seu conhecimento, apenas 4 de cada 10 profissionais conhecem aplicações 3.0 concretas para a construção civil e essa proporção se reduz à 30,8% quando consultados em relação às soluções 4.0.

  • O terceiro desafio está na adoção de soluções digitais por parte dos profissionais nas atividades que fazem parte do seu dia a dia como, por exemplo, o intercâmbio de informações de projeto, naquelas organizações onde o uso do formato físico é ainda uma realidade.


Neste cenário, o levantamento mostra que os profissionais do setor estão alertas, interessados sobre os assuntos vinculados à transformação digital do setor e têm as associações e entidades de classe como uma das principais fontes de informação sobre o assunto.

  • 95% buscam se informar sobre o assunto (principalmente através de matérias ou artigos especializados e vídeos de curta duração).

  • 99% identificam necessidades de capacitação e treinamento (com as metodologias de planejamento e gestão de projetos e o uso de soluções tecnológicas específicas para a construção civil ocupando os primeiros dois lugares do ranking).

  • 63,1% buscam se informar através de associações e entidades de classe.


No que se refere especificamente ao cenário do conhecimento e sensibilização sobre BIM, os resultados apontam que existe um amplo consenso em relação à importância atual e futura dos processos BIM:

  • O desconhecimento absoluto é marginal (apenas 3,4% dos profissionais nunca ouviram falar sobre BIM).

  • Entre quem tem familiaridade a percepção é amplamente favorável (92,5% dos profissionais têm uma percepção positiva ou neutral).

  • Ainda mais, a maioria dos profissionais entende que BIM terá grande importância no setor durante os próximos 5 anos.


No que tange ao panorama sobre BIM, os resultados apontam que os principais desafios para continuar promovendo a adoção do BIM estão centrados no apoio específico à trajetória de adoção e ao fortalecimento das oportunidades, para que aqueles que iniciaram aprofundem sua experiência em contextos de colaboração e desenvolvam um enfoque OpenBIM.

  • A maioria dos profissionais (56%) está iniciando sua trajetória de transformação, em estágio de formação inicial ou de começo de processos de adoção. O levantamento sugere que essa jornada se caracteriza por dois grandes elementos: a descontinuidade dos esforços e a sua extensão e incerteza. Assim, 91,6% dos profissionais vêm seus esforços descontinuados no tempo (principalmente por falta de recursos e devido às incertezas sobre o processo de adoção), ao passo que 29,9% afirmam que há mais de um ano tentam começar a trabalhar em BIM e 35,9% não identificam um momento concreto para o início da sua jornada.

  • Já 36% manifestam ter desenvolvido algum tipo de experiência de trabalho em BIM, iniciando em sua grande maioria nos últimos 5 anos. Essas experiências caracterizam-se ainda por sua baixa complexidade, sendo que somente 27% dos “usuários BIM” (menos de 10% do total dos profissionais) manifestou ter participado de experiências de trabalho em BIM em colaboração com outras empresas ou profissionais.


Foi ainda destacado que os processos de adoção se originam principalmente de motivações próprias, visando a produtividade e implantação de inovação, como diferencial. Por outro lado, os profissionais percebem a falta de recursos para investimentos (em licenças de software, na aquisição de hardware) e de tempo disponível para desenvolver a implementação, como as principais barreiras.


Neste contexto, cabe salientar que 2 de cada 10 profissionais, dentro do grupo dos usuários e adotantes, afirmam não ter desenvolvido nenhuma ação concreta para começar a trabalhar em BIM. Os esforços, de quem respondeu ter desenvolvido ações concretas, estão orientados principalmente à capacitação e ao desenvolvimento de estratégias próprias de adoção.


Assista o evento na íntegra no Canal do YouTube do BIM Fórum Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=KFkQBwdJCCU